Diretor criativo da montadora alemã questiona tendência de displays enormes e defende retorno ao minimalismo com foco na experiência do usuário

A hegemonia das telas gigantescas no painel dos veículos pode enfrentar uma mudança de direção na estratégia da Audi. Massimo Frascella, diretor criativo da marca, sinalizou que o atual padrão da indústria de cobrir o interior com displays digitais não garante necessariamente a melhor usabilidade. Em entrevista à publicação britânica Top Gear, o executivo criticou a aplicação excessiva desses recursos.

O design focado apenas no tamanho dos visores é visto com ceticismo pelo novo responsável criativo. "São tecnologia pela tecnologia."

A fabricante alemã integra atualmente a corrida pela digitalização massiva, equipando seus modelos mais recentes com até três telas: um painel digital de 11,9 polegadas, uma central multimídia de 14,9 polegadas e um terceiro monitor para o passageiro de 10,9 polegadas. Contudo, a experiência prévia de Frascella na Land Rover, onde atuou em projetos como Velar, Defender e Range Rover, sugere uma inclinação para estéticas mais limpas e minimalistas, comuns nos veículos da marca britânica que utilizam telas menores.

A proposta para o futuro da Audi busca equilibrar a inovação com elementos clássicos de luxo e construção sólida.

"A tecnologia está presente quando você precisa dela, e não quando não precisa. Essa combinação de digital e analógico, a sensação tátil, a percepção de qualidade, a precisão, as peças de metal… São esses elementos que fazem da Audi o que ela é."

O executivo reconhece a necessidade de ajustar a rota para se diferenciar em um mercado saturado por interfaces semelhantes, buscando soluções que priorizem a vivência real dentro do automóvel. "É preciso ouvir as necessidades do cliente e encontrar uma maneira própria de atendê-las, oferecendo uma experiência única, diferente de tudo que a concorrência faz."

Protótipo antecipa mudanças no design

Indícios dessa nova filosofia já apareceram no protótipo C Concept, revelado no ano passado. O modelo de estudo, que deve influenciar os próximos lançamentos, apresentou variações no interior. A marca divulgou configurações onde a central multimídia era removida, restando apenas o cluster digital, ou substituída por uma tela de tamanho reduzido e mais discreta.

O objetivo, segundo o diretor criativo, não é eliminar a conectividade, mas refiná-la. "Não se trata de remover recursos, mas sim de oferecer a tecnologia e a funcionalidade de uma forma que seja benéfica para o cliente."

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