Participação de veículos com novas tecnologias atinge patamar recorde no mercado nacional
O mercado automotivo brasileiro registrou um marco histórico no fechamento de 2025. Veículos equipados com novas tecnologias de propulsão, categoria que engloba elétricos, híbridos e soluções de baixo carbono, alcançaram uma participação de 11,2% no total de licenciamentos do país. O volume acumulado chegou a 285,4 mil unidades emplacadas, considerando automóveis de passeio, caminhões e ônibus.
Os dados foram divulgados na última quinta-feira (15) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O desempenho do setor representa uma expansão de 60,9% na comparação com o ano de 2024. A presença desses modelos nas ruas aumentou de forma gradual ao longo dos meses, atingindo o pico em dezembro, quando responderam por 15% de todos os licenciamentos realizados no período.
Crescimento das importações e liderança chinesa
A demanda aquecida por veículos eletrificados impactou diretamente a balança comercial do setor. De acordo com a Anfavea, foram comercializadas 498 mil unidades fabricadas no exterior durante o ano de 2025. Esse volume elevou a participação dos importados para 18,4% do mercado total, um índice superior aos patamares tradicionais observados nos últimos anos.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, apontou uma mudança estrutural na origem desses automóveis, com a Ásia ganhando protagonismo sobre parceiros comerciais históricos.
“Do total de importados, 37% vieram da China”
Segundo o executivo, o país asiático tem ocupado fatias de mercado que anteriormente pertenciam ao México e aos integrantes do Mercosul.
Cotas de importação e investimentos locais
Além dos veículos prontos, a indústria monitora o aumento na entrada de kits desmontados e semidesmontados (CKD e SKD) provenientes da China. Desde julho do ano passado, vigora uma política de cotas que permite a importação desses conjuntos com isenção de Imposto de Importação para montagem em solo nacional.
O benefício fiscal tem data para terminar em 31 de janeiro de 2026, mas a possibilidade de uma prorrogação gera apreensão no setor produtivo. A Anfavea defende a definição do prazo para assegurar a estabilidade econômica, ressaltando que existem R$ 140 bilhões em investimentos anunciados para o Brasil nos próximos anos.
“É importante encerrar essas cotas para garantir previsibilidade e continuidade dos investimentos da indústria automotiva no país”