O mercado automotivo brasileiro confirma em 2026 uma transformação sem volta: os SUVs já respondem por 40,1% de todos os veículos leves vendidos no país. O dado consta do levantamento da Bright Consulting referente à primeira quinzena de maio, período em que o mercado nacional registrou 108.468 emplacamentos. O resultado reforça que os utilitários esportivos deixaram de ser nicho e se tornaram o padrão de consumo dos brasileiros.

A preferência vem de longe

Uma pesquisa de intenção de compra realizada pelo Webmotors Autoinsights, com 1,8 mil pessoas ouvidas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, já apontava que 40% dos brasileiros que planejam comprar um carro em 2026 querem um SUV — dois pontos percentuais acima do registrado na edição anterior, em 2025.

Na sequência das preferências declaradas pelos consumidores, os sedãs aparecem com 28% das menções, seguidos pelos hatchbacks com 17%, picapes com 9% e peruas com 3%.

Quem lidera as vendas

No ranking de SUVs mais vendidos em maio de 2026, o Hyundai Creta ocupa a primeira posição, seguido pelo BYD Song, pelo Volkswagen T-Cross, pelo Volkswagen Tera e pelo Chevrolet Tracker. A presença de um modelo elétrico chinês entre os cinco líderes do segmento ilustra a velocidade com que o mercado está mudando. 

Por que o brasileiro quer SUV

Especialistas apontam uma combinação de fatores práticos e emocionais. A posição elevada de dirigir, o visual robusto, o espaço interno e a conectividade se tornaram extremamente atrativos para o consumidor brasileiro. A sensação de segurança também teve papel decisivo, com muitos compradores associando os SUVs a veículos mais protegidos por conta da carroceria mais alta. 

A evolução tecnológica também pesou na decisão. Os SUVs se tornaram a principal vitrine das montadoras para tecnologias como painéis digitais, multimídia avançada, carregamento por indução e sistemas de assistência à condução (ADAS). 

Do ponto de vista técnico, o segmento também reduziu antigas desvantagens. O uso de motores 1.0 turbo e 1.3 turbo combinados com transmissões mais eficientes ajudou a melhorar consumo e desempenho, permitindo ao consumidor ter a experiência de um carro maior sem o alto consumo típico dos antigos SUVs. 

Montadoras se adaptam

A mudança de comportamento forçou as fabricantes a reorganizar seus portfólios. Atualmente, praticamente todas as montadoras possuem ao menos dois ou três modelos SUV, cobrindo diferentes faixas de preço e perfis de público. A Volkswagen apostou no T-Cross e no Tera. A Fiat cresceu com o Pulse e o Fastback. A Hyundai sustenta vendas com o Creta em posição de destaque.

A tendência não dá sinais de reversão. Com novos lançamentos programados para o segundo semestre e a chegada de mais modelos eletrificados nesse segmento, a disputa pelos compradores de SUV deve se intensificar nos próximos meses.

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