Agência reguladora do reino unido orienta motoristas a evitar carregamento em ambientes fechados sem monitoramento enquanto brasil mantém limite de bateria
Proprietários do SUV elétrico Volvo EX30 no Reino Unido receberam uma nova diretriz de segurança vinda da Driver and Vehicle Standards Agency (DVSA). O órgão regulador britânico recomendou que o carregamento do veículo não seja realizado em ambientes fechados ou cobertos sem a devida supervisão do condutor. A medida é uma resposta aos riscos de incêndio associados a um defeito na bateria de alta tensão do modelo.
Em contato com a reportagem do Jornal do Carro, a Volvo esclareceu que a orientação da agência britânica possui validade local e não altera os protocolos vigentes no mercado brasileiro. Para as 5,6 mil unidades envolvidas na campanha de recall no Brasil, a determinação de segurança permanece a mesma: o veículo deve ser recarregado apenas até 70% da capacidade total da bateria.
Falha técnica e redução de autonomia
O problema tem escala global e afeta mais de 30 mil unidades fabricadas entre 2024 e 2025. A falha localiza-se na bateria de níquel-manganês-cobalto (NMC), onde existe a possibilidade de ocorrer um curto-circuito interno nos módulos. Tal avaria pode levar ao superaquecimento e, em casos extremos, ao incêndio do componente e do automóvel.
Embora a fabricante assegure que o defeito atinge apenas 0,02% dos carros e que não houve registro de incidentes com feridos, a limitação de carga foi imposta como medida preventiva. A restrição a 70% da capacidade, no entanto, impacta diretamente a autonomia do veículo, gerando insatisfação entre os consumidores que investiram valores próximos a R$ 300 mil no modelo.
Um proprietário da versão Ultra, que possui a bateria de maior alcance (69 kWh), expressou sua frustração com a impossibilidade de utilizar o potencial completo do veículo e o receio quanto ao valor de revenda.
“Estava fora do país quando recebi o e-mail convocando para o recall e fiquei preocupado em acontecer algo com o meu carro no Brasil que estava com 73% de bateria naquela ocasião. Não é confortável investir R$ 250.000 em um carro que não pode ser utilizado com o máximo de autonomia e ainda pode perder valor de mercado. Eu aguardo uma solução rápida pra essa questão e, se não tiver, irei entrar com uma ação judicial para preservar os meus direitos de consumidor.”
Disputa corporativa e histórico de casos
O cenário de insegurança remete a ocorrências anteriores, como o incêndio de um exemplar do SUV em uma concessionária de Maceió (AL), em novembro do ano passado. Na ocasião, autoridades locais relataram que a destruição total do veículo exigiu a atuação de 11 bombeiros para controle das chamas.
A origem do defeito deflagrou um conflito judicial internacional. O Grupo Geely, detentor da Volvo, iniciou um processo contra a fornecedora chinesa Sunwoda Electronic, responsável pelas células de bateria de 33.777 unidades do EX30. A ação, no valor de US$ 323 milhões (aproximadamente R$ 2 bilhões), alega problemas de qualidade em componentes fornecidos entre junho de 2021 e dezembro de 2023.
Além da Volvo, a marca Zeekr, também pertencente ao grupo, enfrentou problemas similares em outubro de 2024, necessitando substituir baterias com células da mesma fornecedora devido a riscos de combustão.