O avanço das montadoras asiáticas reconfigura o setor automotivo brasileiro, projetando uma presença massiva no mercado nacional nos próximos anos

Quase um quinto dos veículos novos comercializados no Brasil em 2030 terá origem chinesa, consolidando uma transformação profunda no cenário automotivo nacional. A projeção da Bright Consulting aponta para uma participação de 18% das marcas asiáticas nas vendas totais até o final da década.

O mercado brasileiro registrou a chegada de 16 novas montadoras chinesas entre 2023 e 2025, impulsionando um crescimento de vendas exponencial. Essa expansão é atribuída à combinação de uma política de preços competitiva, inovação tecnológica e alta qualidade construtiva dos modelos.

Os dados da Bright Consulting detalham essa ascensão: em 2023, as marcas chinesas representavam 2,3% das vendas, subindo para 10% em 2025. A estimativa é alcançar 16% em 2027 e, finalmente, os 18% em 2030, conforme o estudo.

Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, observa que essa tendência marca uma nova era para a indústria automotiva brasileira. Ele ressalta a mudança de status das empresas chinesas no país.

“A China deixa de ser “entrante”, figurando entre os protagonistas e consolidando uma mudança estrutural no mercado.”

Esse avanço representa um desafio particular para as marcas de origem europeia, que são as que mais perdem vendas para os competidores asiáticos, segundo a Bright Consulting e uma reportagem exclusiva do Jornal do Carro.

Entre as protagonistas desse movimento estão a BYD e a GWM, que já estabeleceram fábricas no Brasil. Briganti prevê volumes substanciais para essas empresas.

“Considero que em 2030 a BYD já estará com um volume de vendas na casa das 200.000 unidades e a GWM em torno de 100.000 emplacamentos.”

Ambas as fabricantes operam localmente, mesmo que em regime SKD e CKD, com a nacionalização de componentes específicos como vidros, rodas e pneus.

Questionado sobre outras marcas chinesas que se destacarão, Briganti cita Caoa Chery, Geely, Omoda/Jaecoo, GAC e Leapmotor. Ele organiza a relevância dessas montadoras em uma ordem específica.

“Acredito que será nessa ordem inclusive. Caoa Chery, já está consolidada e tem fábrica, Geely tem a parceria forte com a Renault em distribuição e pós-venda, Omoda e GAC vem com preços agressivos e Leapmotor deve ficar um pouco atrás.”

A expectativa é que mais marcas chinesas estabeleçam produção local no Brasil. Essa estratégia visa mitigar o impacto da taxa de importação de 35% sobre veículos híbridos e elétricos, que entrará em vigor a partir de julho de 2026.

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