Há carros que evoluem de forma quase silenciosa: mudam pouco por fora, quase nada por dentro, mas refinam o que já funcionava. O Honda HR-V 2026 se encaixa bem nessa lógica. Não é um SUV que tenta surpreender a cada reestilização, e sim um modelo que aposta na consistência, na engenharia bem resolvida e em uma receita conservadora, algo que sempre foi parte do DNA da marca japonesa.

A questão, em 2026, é entender até que ponto essa estratégia ainda conversa com um mercado cada vez mais pressionado pela eletrificação. Testamos o Honda HR-V EXL 2026, versão intermediária-alta da gama, que chega ao mercado por R$ 174.300. O valor já posiciona o SUV compacto em uma faixa bastante competitiva (e disputada), exigindo uma boa análise do que ele entrega em design, desempenho, consumo e tecnologia.

Sem turbo, e tudo bem

Desde que mudou de geração em 2022, o HR-V brasileiro passou por uma transformação importante. A Honda optou por abandonar o antigo 1.8 aspirado e, ao contrário de muitos rivais, decidiu não seguir o caminho do downsizing turbo nas versões de entrada e intermediárias. Em seu lugar, entrou o motor 1.5 aspirado com injeção direta, acoplado ao câmbio CVT.

Na época, a decisão gerou desconfiança: abrir mão do turbo em um segmento onde praticamente todos os concorrentes apostam em sobrealimentação parecia um passo atrás. Na prática, porém, a Honda mostrou que ainda sabe extrair eficiência de soluções tradicionais bem calibradas.

Funcional, mas com qualidade

Ao entrar na cabine, fica claro que a Honda priorizou ergonomia e funcionalidade, não sofisticação. O acabamento é simples, com predominância de tons escuros e materiais rígidos, mas a qualidade percebida é boa. A montagem do painel, painéis de porta, console e demais elementos transmite solidez, sem ruídos ou encaixes mal resolvidos.

O painel de instrumentos digital TFT de 7 polegadas cumpre bem seu papel. É um estilo bem conhecido dentro da marca: a leitura é clara, as informações de consumo e dados de viagem são fáceis de acessar e não exigem esforço do motorista. É um quadro funcional, sem firulas.

E aqui temos uma evolução: a central multimídia de 8 polegadas evoluiu em resolução e usabilidade. A conexão sem fio com Apple CarPlay e Android Auto funciona de forma mais rápida e estável, algo que nem sempre foi um ponto forte da Honda em gerações anteriores.

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