Marca americana retoma atividades na categoria principal em 2026 através de parceria técnica com a Red Bull e acirra disputa com a General Motors
A Ford Motor Company oficializou seu retorno à Fórmula 1 após um hiato que perdurava desde 2004. A fabricante, que ocupa a posição de terceira maior vencedora de motores da história da categoria, volta ao grid a partir da temporada de 2026. A estratégia baseia-se em uma aliança com a Red Bull para o desenvolvimento de unidades de potência, aproveitando o novo regulamento que exige maior eficiência elétrica e uso de combustíveis sustentáveis. As informações são do Estadão.
A marca do povo na pista
O retorno coloca a empresa em contraste direto com outras fabricantes presentes no circuito, muitas vezes associadas exclusivamente ao segmento de luxo. Will Ford, gerente geral da Ford Performance, destacou a posição única da companhia como uma marca icônica e acessível, citando uma pesquisa recente da revista Time que colocou a Ford como a empresa mais icônica da América, à frente de gigantes como Apple e Disney.
"Eles são, na verdade, marcas de luxo. Muitos deles obviamente têm um ótimo desempenho e histórico no automobilismo, mas a Ford é uma marca americana icônica. Mas nós somos a marca do povo. Somos uma equipe e uma marca com a qual o fã médio americano de F1 ao redor do mundo pode se identificar. E acho que a Red Bull é a parceira perfeita para voltarmos ao grid com essa mensagem. A Red Bull tem a mentalidade de desafiante."
Laboratório para tecnologia híbrida
A decisão de regressar está diretamente ligada à reformulação das regras técnicas para 2026, que preveem carros mais leves e motores com maior dependência de energia elétrica. A empresa enxerga a categoria como o ambiente ideal para transferir inovações das pistas para os carros de rua, especialmente no segmento de híbridos de alto desempenho.
"Estamos comprometidos com os V8 de alto desempenho e em fabricá-los pelo tempo que for legalmente possível. Mas a tecnologia híbrida avançou tanto e ficou tão boa que podemos oferecer trens de força híbridos de alto desempenho e veículos para clientes no futuro sem sacrificar nada do desempenho. E assim, entrar no laboratório definitivo, no teste de tortura supremo para híbridos de alto desempenho — não há maneira melhor para avançarmos nossas capacidades."
Rivalidade técnica e política
O cenário do automobilismo americano também se aquece com a entrada simultânea da Cadillac, marca da General Motors, na F1. A disputa verbal já começou fora das pistas. Dan Towriss, CEO da equipe Cadillac F1, minimizou a operação da concorrente, classificando a união Ford-Red Bull como um "acordo de marketing com impacto mínimo".
Bill Ford, presidente executivo da empresa e bisneto do fundador, rebateu prontamente as alegações, apontando diferenças fundamentais na estrutura das equipes estreantes.
"Eu diria que, na verdade, o inverso é verdadeiro. Eles estão usando um motor Ferrari. Não estão usando um motor Cadillac. Não sei se eles têm algum funcionário da GM na equipe de corrida."
A colaboração técnica da Ford envolve engenheiros trabalhando diretamente no campus da Red Bull em Milton Keynes, na Inglaterra, além de suporte adicional vindo dos Estados Unidos. A empresa contribui com desenvolvimento de software e ferramentas de impressão 3D, que aceleraram a produção de peças do novo motor.
O peso do nome
Com um histórico que remonta a 1903 e vitórias que ajudaram a fundar a própria companhia, a participação em corridas é tratada como um elemento central da identidade corporativa. A nova empreitada levou três anos para ser concretizada desde as primeiras conversas.
"O nome da nossa família está em tudo o que fazemos. Portanto, tudo o que fazemos deve ser excelente. E é por isso que estamos encarando a F1, e estamos muito confiantes de que seremos excelentes. Então, do ponto de vista da família, tudo é pessoal para nós. Nosso nome está em cada carro e caminhonete que vendemos. Está em cada corrida em que participamos. Não tem como ser mais pessoal do que isso."