Vice-presidente da montadora chinesa detalha estratégia para o segmento com modelos eletrificados e produção nacional na fábrica da Bahia

A BYD pretende expandir significativamente sua atuação no mercado brasileiro, indo além dos SUVs e sedãs já consolidados no portfólio. O foco estratégico da companhia se volta agora para o segmento de caminhonetes, com a previsão de lançar até cinco novos modelos no país nos próximos anos. A informação foi confirmada por Alexandre Baldy, vice-presidente da marca no Brasil, em entrevista à Autoesporte.

A empresa estruturou um grupo específico para viabilizar esses lançamentos, buscando produtos que atendam às demandas locais. “Nós criamos uma equipe dedicada para picapes. E esse trabalho é muito no sentido de que a gente possa desenvolver produtos que tenham maior adequação e viabilidade no mercado para ter sucesso”, explicou o executivo.

Atualmente presente no nicho apenas com o modelo Shark, cujas vendas ainda são discretas, a montadora chinesa planeja diversificar as opções com veículos de diferentes tamanhos e posicionamentos. Um ponto central da estratégia é a manutenção exclusiva da eletrificação. Mesmo com a forte preferência do consumidor de picapes pelo diesel e a movimentação de concorrentes como a GWM, a BYD descartou o uso desse combustível. “Seguimos focados na visão de que nossos carros híbridos plug-in e elétricos são o futuro do mercado”, justificou Baldy.

Novos modelos para enfrentar Toro e Strada

O cronograma prevê que o primeiro lançamento desta nova safra será um modelo de porte intermediário, desenvolvido para disputar mercado com a Fiat Toro. O veículo terá design com elementos exclusivos, incluindo grade e para-choque próprios, para se diferenciar visualmente. A produção será nacional, concentrada no complexo industrial de Camaçari, na Bahia, com estreia oficial aguardada para 2026.

Os planos também contemplam uma caminhonete de menor porte para competir diretamente com a Fiat Strada. Assim como a versão intermediária e a Shark, este veículo contará com tecnologia híbrida plug-in. A motorização deve utilizar como base o propulsor 1.5 DM-i aspirado de quatro cilindros e 16V, já presente em linhas como Song Pro, Song Plus e King. A fabricação local em Camaçari é considerada indispensável pela marca para garantir o volume de vendas necessário e otimizar a logística de abastecimento das concessionárias.

Opções maiores e metas de crescimento

A estratégia abrange ainda outras duas possibilidades de produtos. Uma picape média seria posicionada como alternativa à Shark, ajustada ao gosto brasileiro para enfrentar concorrentes tradicionais como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10. A quinta opção seria um modelo de grande porte, com dimensões próximas a veículos como Ram 1500, Ford F-150 e Chevrolet Silverado.

Essa ofensiva no segmento de utilitários integra a meta da BYD de se tornar uma das três maiores montadoras do Brasil até 2028. O objetivo da companhia é alcançar um volume anual de emplacamentos próximo a 350 mil veículos, impulsionado pelos novos produtos em desenvolvimento.

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