Nova regulamentação federal impõe metas rígidas de eficiência energética e segurança que transformarão a frota nacional nos próximos seis anos

A recente regulamentação do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) pelo governo federal estabelece um novo marco para a indústria automotiva brasileira. Até 2030, todos os veículos comercializados no país deverão apresentar uma melhoria de 8% a 12% em sua eficiência energética. Este indicador, calculado pela Bright Consulting, engloba tanto o consumo de combustível quanto as emissões de dióxido de carbono, abrangendo desde modelos a combustão e flex até veículos com diferentes níveis de eletrificação.

A nova política automotiva utiliza uma metodologia complexa para integrar as diversas tecnologias de propulsão disponíveis no mercado nacional. As informações são baseadas em reportagem original do Jornal do Carro.

Impacto direto nos preços

A exigência de evolução tecnológica traz um cenário de dupla via para os custos. Embora a modernização possa elevar os gastos de produção das montadoras, o programa oferece contrapartidas fiscais: empresas que atingirem as metas estipuladas terão acesso a descontos no Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Essa dinâmica sugere uma possível manutenção ou até redução de valores finais para o consumidor.

O COO da Bright Consulting, Murilo Briganti, pondera que previsões exatas sobre valores ainda são prematuras, mas aponta uma tendência clara de vantagem para modelos que se adequarem às normas.

“Carros mais eficientes e tecnologicamente alinhados tendem a ficar relativamente mais competitivos, enquanto modelos menos eficientes podem encarecer ou perder espaço.”

Outro fator que deve conter a escalada de preços é o aumento da concorrência com a entrada de novas marcas no mercado. Dados recentes indicam que, pela primeira vez em cinco anos, o aumento do tíquete médio de veículos novos ficou abaixo da inflação.

Metodologia pioneira e sustentabilidade

O Brasil adota uma postura de vanguarda ao implementar o cálculo “do poço à roda”. Diferente de medições tradicionais, este sistema considera toda a cadeia de carbono, incluindo a pegada deixada pela geração da energia utilizada, seja ela etanol, gasolina ou eletricidade. O método evita distorções, como classificar como “limpo” um veículo elétrico abastecido por energia proveniente de usinas a carvão.

Desde o início do programa Inovar-Auto em 2012, a indústria busca maior eficiência. Com as novas regras do Mover, a projeção é de uma melhoria acumulada de 45% ao longo de 18 anos. Para o motorista, o resultado prático é o acesso a automóveis que percorrem maiores distâncias com menor consumo energético.

Segurança como requisito obrigatório

Além da eficiência energética, o programa impõe a padronização de tecnologias de segurança. O presidente da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), Marcus Vinícius Aguiar, destaca que sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) deixarão de ser itens exclusivos de categorias de luxo.

Recursos como frenagem automática de emergência e alertas de colisão passarão a ser requisitos de projeto para diversas categorias, elevando significativamente o padrão de proteção nas vias brasileiras. A expectativa é que, até o final da década, o consumidor encontre nas concessionárias veículos com maior integração entre sistemas elétricos e eletrônicos, além de um gerenciamento de energia superior.

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