Nova geração estreia na Índia com motorização híbrida e visual robusto, mas planos da montadora para o mercado brasileiro apontam para outra direção

A nova geração do Renault Duster foi oficialmente revelada com foco em mercados emergentes, trazendo uma identidade visual distinta da variante original da Dacia e do modelo comercializado na Turquia. A Índia é o primeiro país a receber o utilitário esportivo, que agora conta com produção local e incorpora itens tecnológicos do Boreal. A novidade levanta questionamentos sobre a atualização do portfólio da marca no mercado nacional, tema abordado pela Autoesporte em contato com a liderança da fabricante.

A vinda desta nova linhagem ao Brasil é considerada improvável. A estratégia atual da Renault no país prioriza o desenvolvimento de produtos próprios, afastando-se da antiga prática de replicar modelos da Dacia. O foco dos investimentos está voltado para o SUV derivado do Projeto Aurora, um veículo maior e mais sofisticado que o Duster atual.

Posicionamento da marca no Brasil

Ariel Montenegro, presidente da Renault no Brasil, comentou sobre o cenário em conversa realizada em outubro. O executivo admitiu o forte apelo comercial e a relevância do Duster para a gama nacional, mas evitou confirmar a chegada da nova geração, indicando que o ciclo atual ainda tem longevidade.

“Por enquanto, ainda temos muito a fazer”

A implementação do novo modelo exigiria novos investimentos que não se alinham ao planejamento imediato da subsidiária brasileira.

Design e dimensões exclusivas

A versão apresentada para os mercados emergentes aposta em uma estética mais agressiva. O crossover exibe para-choques exclusivos, faróis com novos componentes em LED e lanternas traseiras redesenhadas, unidas por uma faixa luminosa. Diferente da versão romena da Dacia ou da turca, a grade dianteira ostenta o nome do modelo por extenso, substituindo o logotipo tradicional.

As dimensões preservam o padrão europeu: 4,34 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,65 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. A capacidade do porta-malas é de 518 litros, com uma altura livre do solo de 21,2 cm. O visual é complementado por rodas inéditas e emblemas distribuídos da base das portas ao rack de teto.

Interior tecnológico e motorização híbrida

Na cabine, o Duster indiano se distancia do modelo global ao integrar a tela multimídia diretamente ao painel, abandonando o estilo tablet flutuante. O sistema de 10,1 polegadas inclui serviços do Google, similares aos encontrados no Boreal, e o assistente de inteligência artificial Gemini. O painel de instrumentos digital varia entre 7 e 10,25 polegadas, conforme a versão.

O conjunto mecânico oferece três opções principais:

  • Entrada: Motor 1.0 turbo de três cilindros (o mesmo do Kardian), com 100 cv e 16,3 kgfm, acoplado a um câmbio manual de seis marchas.
  • Intermediária: Motor 1.3 turbo de quatro cilindros, entregando 160 cv e 28,5 kgfm, com opções de transmissão manual ou automatizada de dupla embreagem.
  • Topo de linha: Sistema híbrido pleno E-Tech 160. Combina um motor 1.8 aspirado a um elétrico e um gerador de partida, totalizando 160 cv e 17,5 kgfm, alimentado por uma bateria de 1,4 kWh.

Todas as configurações possuem tração dianteira. A lista de equipamentos é extensa, incluindo teto solar panorâmico, porta-malas elétrico, bancos ventilados, ar-condicionado digital de duas zonas, câmeras 360°, controle de cruzeiro adaptativo e frenagem automática.

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