Chinesa reduz valores de versões de entrada para disputar metade das vendas do país
A BYD iniciou uma ofensiva comercial voltada exclusivamente para o segmento de vendas diretas, setor que responde por quase metade dos emplacamentos no Brasil. A fabricante chinesa aplicou descontos de até 15% nas versões GL de seus principais modelos, posicionando carros elétricos e híbridos na mesma faixa de preço de veículos de entrada e utilitários compactos a combustão. A estratégia visa atender frotistas, taxistas, motoristas de aplicativo e o público PCD.
O movimento estratégico ocorre após a marca consolidar sua presença no varejo, onde figurou na quinta posição no acumulado de 2025. A meta agora é elevar a participação nas vendas corporativas para 10%. Para atingir esse objetivo, a empresa aposta na competitividade das versões GL, que abrem mão de sistemas avançados de assistência à condução (Adas) para reduzir o custo final.
O diretor comercial da BYD do Brasil, Fábio Lage, detalhou a disparidade de desempenho da marca entre os dois canais de venda como o principal motivador da mudança.
"Quando eu cheguei, a BYD tinha quase 10% de participação no varejo, mas apenas 1% a 1,5% nas vendas diretas. Sendo que esse canal hoje representa cerca de 50% do mercado. Havia uma oportunidade muito clara de crescimento"
Novos valores para o segmento corporativo
Com a nova política de preços para CNPJ e beneficiários de isenções fiscais, o Dolphin Mini GL teve seu valor reduzido de R$ 118.990 para R$ 101.141. O montante coloca o modelo elétrico em disputa direta com o Renault Kwid E-Tech, tabelado em R$ 99.990. Outros modelos também sofreram reajustes agressivos:
- BYD King GL: de R$ 169.990 para R$ 144.491;
- BYD Song Pro GL: de R$ 189.990 para R$ 161.491.
O reposicionamento do sedã King GL, por exemplo, aproxima o veículo híbrido da faixa de preços de SUVs compactos básicos a combustão, como o Volkswagen Tera High, vendido a R$ 144.390. A montadora argumenta que, para uso profissional intenso, um sedã médio oferece mais espaço e eficiência energética que um utilitário compacto de mesmo valor.
Foco no custo total de propriedade
A principal aposta da marca para convencer o cliente corporativo reside no cálculo do custo total de propriedade (TCO). A economia gerada por revisões mais espaçadas, menor custo de energia em comparação à gasolina e isenções de IPVA em diversos estados compõe o argumento central de vendas.
Lage reforçou a distinção entre o perfil de compra do consumidor final e o do cliente profissional, justificando a criação de versões específicas.
"O cliente emocional vai para a versão topo. Já o cliente racional faz a conta do custo total de propriedade. Para ele, criamos versões específicas, com preço mais competitivo, mantendo rentabilidade semelhante à do varejo"
Expansão e metas para 2026
Os dados divulgados pelo Jornal do Carro, do Estadão, indicam que a estratégia já surtiu efeito no encerramento de 2025. Em dezembro, a marca emplacou 5,4 mil unidades via vendas diretas, impulsionando um total de 16,7 mil veículos faturados no mês — um crescimento de 70% sobre a média anterior. O Dolphin Mini GL liderou esse recorte com 1,8 mil unidades.
Para 2026, a projeção da BYD é dobrar o volume registrado em 2025, alcançando 240 mil carros vendidos no ano. O plano inclui equilibrar a operação com 55% das vendas no varejo e 45% nas vendas diretas. Para suportar esse volume, a rede de concessionárias deve saltar de 200 para 300 pontos de atendimento.
Apesar do avanço, o mercado de vendas diretas ainda é liderado por montadoras tradicionais. Em 2025, a Fiat manteve a ponta com 20,89% de participação, seguida de perto pela Volkswagen com 20,43%, enquanto a Chevrolet ocupou o terceiro lugar com 11,93%.