Líder do segmento de elétricos recebe ajuste na suspensão e passa a ser montado na Bahia com versão única de cinco lugares
A linha 2026 do BYD Dolphin Mini chega ao mercado brasileiro com alterações técnicas pontuais para consolidar sua liderança entre os veículos elétricos. Agora montado no complexo fabril de Camaçari, na Bahia, o modelo busca corrigir críticas anteriores, especialmente no comportamento dinâmico, mantendo o pacote de equipamentos que o popularizou. As informações são baseadas em testes realizados pela Autoesporte.
Suspensão recalibrada e desempenho urbano
A principal evolução técnica identificada no modelo 2026 reside no conjunto de suspensão. O sistema, que mantém a arquitetura independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, recebeu um ajuste mais firme. Essa alteração soluciona o balanço excessivo da traseira, considerado o ponto fraco da versão anterior, entregando maior estabilidade ao hatch compacto.
O conjunto mecânico preserva o motor elétrico dianteiro de 75 cv e 13,8 kgfm de torque. O desempenho privilegia o uso urbano, com aceleração de 0 a 40 km/h em ágeis 2,6 segundos no modo Sport. Em velocidades mais altas, no entanto, o veículo demonstra limitações de retomada, necessitando de 14,5 segundos para atingir os 100 km/h, um número comparável a carros populares 1.0 a combustão. A velocidade máxima é limitada a 130 km/h.
Autonomia e custos de manutenção
A bateria Blade de 38 kWh oferece uma autonomia declarada de 280 km, conforme medição do Inmetro. O carregamento em estações rápidas (DC de 40 kW) permite recuperar de 30% a 80% da carga em 30 minutos. O custo para um carregamento completo em tomadas residenciais gira em torno de R$ 29,60, baseando-se na tarifa média nacional.
No quesito manutenção, as cinco primeiras revisões até 100 mil km somam R$ 3.728. O valor é significativamente inferior ao de concorrentes a combustão, como o Volkswagen Polo, cujo pacote equivalente custa R$ 9.780.
Versão única e atualizações de equipamentos
A estratégia comercial foi simplificada. A opção de quatro lugares foi descontinuada, restando apenas a versão GS de cinco lugares, comercializada por R$ 119.990. O visual externo permanece praticamente inalterado, destacando-se apenas as novas rodas de liga leve de 16 polegadas, a cor Azul Glacial e a substituição da frase extensa na tampa do porta-malas pela sigla da marca.
Internamente, o acabamento utiliza materiais macios no painel, diferenciando-se dos plásticos rígidos comuns no segmento, embora as opções de cores (azul ou rosa) limitem a escolha de perfis mais conservadores. A central multimídia giratória de 10,1 polegadas ganhou conexão sem fio para Apple CarPlay. Contudo, o pareamento exige que a tela esteja na horizontal e o uso de aplicativos de navegação, como o Waze, ainda apresenta travamentos.
A lista de itens de série inclui seis airbags, freio de estacionamento eletrônico, piloto automático, câmera de ré, sensores de estacionamento e freios a disco nas quatro rodas. O banco do motorista conta com ajuste elétrico.
Política de garantia com ressalvas
A garantia anunciada é de seis anos para o veículo e oito anos para o sistema elétrico (motor e bateria). Entretanto, existem cláusulas restritivas importantes. Para uso comercial, a cobertura geral cai para dois anos ou 100 mil km. Componentes como suspensão, faróis e vedações possuem garantia reduzida de três anos. Pastilhas de freio são cobertas por seis meses e o óleo lubrificante por apenas três meses.
Dimensões e espaço interno
As medidas seguem as mesmas: 3,78 m de comprimento e 2,50 m de entre-eixos. O espaço traseiro acomoda bem as pernas devido ao assoalho plano, mas a largura é restrita para três ocupantes adultos. O porta-malas de 230 litros supera o do Fiat Mobi em 15 litros, mas perde para o Kwid E-Tech, sendo parcialmente ocupado pelo kit de reparo e cabos de recarga.