Goiânia recebe frota com capacidade para 250 passageiros e sistema de recarga de alta potência

A capital de Goiás tornou-se o palco para a operação do maior ônibus elétrico do mundo. Em uma entrega realizada na última sexta-feira, 30, a operadora de transportes Metro recebeu cinco unidades do modelo biarticulado, desenvolvido em parceria pela Volvo e Marcopolo. O veículo, identificado como BZRT, impressiona pelas dimensões e capacidade técnica: são 28 metros de comprimento projetados para transportar até 250 passageiros. A força motriz provém de dois motores elétricos de 200 kW cada, totalizando 400 kW (cerca de 540 cv), alimentados por oito baterias posicionadas sob o assoalho.

Para viabilizar a circulação destes gigantes, foi necessário um investimento robusto em infraestrutura energética. A garagem da empresa passou a contar com uma estação de abastecimento de 6 megawatts de potência. O volume de energia gerado no local é comparável ao consumo simultâneo de 6 mil chuveiros elétricos, segundo informações veiculadas pelo Jornal do Carro.

Solução para infraestrutura supera desafios do setor

O projeto em Goiânia destaca-se por resolver gargalos que ainda travam a eletrificação de frotas em grandes centros urbanos, como São Paulo. A Metro instalou uma subestação própria dentro da garagem para converter a energia de média tensão da rede de distribuição para a baixa tensão exigida pelos veículos. Diferente da capital paulista, onde o custeio dessa infraestrutura gera impasses entre o Estado e as operadoras, a iniciativa goiana foi viabilizada por um modelo de consórcio entre a esfera pública e o setor privado.

O complexo de recarga dispõe de 23 carregadores de 240 kW. Cada equipamento possui capacidade para atender dois ônibus ao mesmo tempo, permitindo que até 46 veículos da frota — que totaliza 21 unidades elétricas — sejam abastecidos simultaneamente.

O tempo necessário para completar a carga das baterias é um fator crucial na operação. Ciro Lima, diretor de marketing da Nansen, fabricante dos carregadores, detalhou a duração do procedimento.

“O processo pode levar até quatro horas.”

Armazenamento de energia otimiza a operação

Para garantir que os veículos permaneçam o maior tempo possível em circulação, o projeto incluiu um equipamento auxiliar denominado BESS. O sistema funciona como uma bateria externa gigante (semelhante a um powerbank). Enquanto os ônibus estão nas ruas, o BESS armazena energia da rede. Quando um veículo retorna à garagem precisando de abastecimento rápido, o equipamento libera a carga acumulada, acelerando o processo.

A solução é apontada pela Nansen como uma alternativa econômica em comparação à instalação de novos carregadores. O sucesso do negócio e a visibilidade do modelo biarticulado já despertaram o interesse de gestores de transporte de outras cidades brasileiras, além de países vizinhos como Colômbia e Equador.

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