Levantamento da abraciclo indica que as fábricas instaladas no polo industrial de manaus devem alcançar o terceiro melhor volume da série histórica

A indústria nacional de duas rodas prepara-se para atingir uma marca expressiva no próximo ano. Dados divulgados pela Abraciclo, associação que representa as fabricantes do setor, indicam que o Polo Industrial de Manaus (PIM) deverá entregar 2,07 milhões de motocicletas em 2026. O volume projetado, apresentado nesta quinta-feira (15), posiciona o período como o detentor do terceiro melhor desempenho produtivo já registrado no país.

Este montante supera em 4,5% os números consolidados de 2025, ano em que a fabricação totalizou 1.980.538 unidades. O resultado recente já havia sido o mais robusto desde 2011, sinalizando uma tendência de alta contínua nas linhas de montagem.

Marcos Bento, presidente da entidade, analisou o cenário atual e os fatores que impulsionam essa expansão, citando o comportamento do consumidor e as necessidades de deslocamento.

“O desempenho do setor reflete a demanda aquecida por veículos de duas rodas, impulsionada principalmente pela mobilidade urbana e pelo uso profissional”

Recuperação histórica e demanda interna

Caso a projeção para 2026 se confirme, o setor consolidará uma recuperação estrutural significativa após a retração observada na década passada. O ponto mais crítico ocorreu em 2017, quando a produção caiu para pouco mais de 882 mil unidades. Os recordes históricos permanecem com os anos de 2008 e 2011, que registraram, respectivamente, 2,14 milhões e 2,13 milhões de motocicletas fabricadas.

A expectativa otimista baseia-se na consistência da demanda no mercado interno, no aumento do uso da motocicleta como ferramenta de trabalho e no desempenho positivo do varejo.

Vendas e licenciamentos

No que tange à comercialização, os números também acompanham o ritmo das fábricas. Segundo informações da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), 2025 encerrou com 2.197.851 licenciamentos, um crescimento de 17,1% em relação ao ano anterior e um recorde para o varejo. Para 2026, a estimativa é de que os emplacamentos cheguem a 2,3 milhões de unidades, o que representaria um avanço de 4,6%.

Diversificação dos modelos produzidos

O perfil da produção industrial demonstra uma adaptação às novas exigências do consumidor. Embora as motocicletas de baixa cilindrada ainda liderem as linhas de montagem, respondendo por 77,7% do volume em 2025, categorias superiores ganham espaço. Os modelos de média cilindrada alcançaram 20,1% de participação, enquanto as de alta cilindrada representaram 2,2%.

A categoria Street mantém-se como a mais fabricada, detendo mais da metade da produção nacional, seguida pelo segmento Trail. Nichos como big trail, naked, sport e custom vêm se firmando, refletindo um público que utiliza o veículo também para lazer e viagens.

Exportações em alta

O mercado externo também deve absorver uma parcela maior da produção brasileira. A previsão da Abraciclo aponta para o envio de 45 mil motocicletas para outros países em 2026. O número indica um crescimento de 4,4% sobre o volume exportado no período anterior.

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