Presidente da subsidiária da GWM questiona viabilidade técnica de produto rival apresentado na CES e aponta inconsistências nos dados divulgados

A promessa de uma revolução no mercado de veículos elétricos gerou um conflito aberto entre empresas do setor de energia. Yang Hongxin, presidente da Svolt, subsidiária da Great Wall Motors (GWM), classificou como “fraude” a bateria de estado sólido apresentada pela startup finlandesa Donut Lab. As críticas surgiram após a exibição do produto na Consumer Electronics Show (CES), realizada no início de janeiro, conforme repercutido pelo Jornal do Carro.

O executivo da fabricante chinesa colocou em dúvida a veracidade das especificações técnicas divulgadas pela concorrente. Segundo informações veiculadas pela imprensa da China, Hongxin argumenta que o estágio atual de desenvolvimento global da tecnologia não sustenta as afirmações feitas pela startup.

“Essa bateria sequer existe no mundo, todos os parâmetros são contraditórios. Qualquer pessoa com um conhecimento básico da tecnologia pensaria que é uma fraude”, declarou Yang.

Promessas de desempenho e ceticismo

A controvérsia gira em torno dos números superlativos apresentados pela Donut Lab. A empresa garante que seu dispositivo, supostamente pronto para produção, equipará um modelo da marca Verge, especializada em motocicletas elétricas. Entre os dados que levantaram suspeitas no mercado estão:

  • Densidade energética de 400 Wh/kg;
  • Recarga completa em apenas cinco minutos;
  • Durabilidade estimada em 100 mil ciclos.

Para o CEO da Svolt, falar em industrialização de baterias de estado totalmente sólido neste momento é prematuro. O cenário atual da indústria reforça o argumento, visto que nenhuma companhia conseguiu, até o momento, levar essa tecnologia específica para a fase de verificação comercial em larga escala.

Avanços da Svolt na mesma feira

Enquanto criticava a rival, a Svolt aproveitou a CES para demonstrar sua própria tecnologia: uma bateria de estado semissólido. O produto representa um avanço geracional ao utilizar silício de terceira geração e eletrólito semissólido, visando equilibrar densidade energética e segurança.

A desconfiança sobre a Donut Lab não partiu apenas da concorrência. Durante o evento em Las Vegas, observou-se que os representantes da startup mantinham um discurso restrito, repassando apenas as informações contidas no material promocional, sem aprofundamento técnico. A Svolt, por meio da GWM, busca se posicionar como pioneira na aplicação comercial de soluções semissólidas, enquanto o mercado aguarda provas concretas sobre a viabilidade dos projetos de estado sólido puro.

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