Ford Bronco elétrico é registrado no Brasil com autonomia de até 1.200 km

O Ford Bronco elétrico acaba de dar as caras no Brasil, pelo menos nos arquivos de propriedade industrial. Imagens publicadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) revelam que a fabricante registrou o desenho do SUV desenvolvido na China. O modelo, fruto da parceria entre a Ford e a JMC (Jiangling Motors Corporation), chega como uma alternativa maior e mais tecnológica ao Bronco Sport já vendido aqui. Embora o registro não confirme o lançamento imediato, ele protege o design da marca no país e sinaliza que a Ford estuda ampliar sua gama de eletrificados para brigar com as chinesas BYD e GWM.

O destaque deste “Bronco oriental” não é apenas o visual robusto, mas o conjunto mecânico capaz de rodar mais de 1.000 km sem recargas externas. Apesar de usar o mesmo nome, o Ford Bronco elétrico não tem nada a ver com a versão norte-americana, sendo um produto desenvolvido inteiramente na China.

Tecnologia EREV e autonomia impressionante

Além de ser o único Bronco elétrico, também é o primeiro carro da Ford a contar com a tecnologia EREV, adotando um motor como extensor de alcance. Nesta configuração, o SUV utiliza dois motores elétricos que somam 416 cv. O diferencial é a presença de um motor 1.5 turbo a gasolina que não traciona as rodas: ele atua exclusivamente como um gerador de energia para as baterias. O sistema é alimentado por uma bateria de 43,7 kWh (fornecida pela BYD). O resultado é uma autonomia total de impressionantes 1.220 km, resolvendo a ansiedade de autonomia em viagens longas.

Versão puramente elétrica e frunk

Já a versão puramente elétrica foca em desempenho bruto. Ela entrega 445 cv e utiliza baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) com capacidade de 105,4 kWh. Nesta configuração, o alcance é de 650 km no ciclo chinês CLTC. Sem o motor a combustão na dianteira, esta versão ganha um “frunk” (porta-malas dianteiro) de 160 litros, ideal para cabos de carregamento ou pequenas bagagens.

Design e porte robustos

O porte do Ford Bronco elétrico impõe respeito e o coloca em um segmento acima do Bronco Sport. O SUV mede 5 metros de comprimento, consideravelmente maior que os modelos médios atuais. Seu design está mais próximo do Bronco Sport do que do Bronco. À primeira vista, é fácil confundí-lo com o Sport por causa do visual. Alguns elementos como a grade fechada e o desenho do para-choque revelam a identidade da versão chinesa.

Capacidade off-road e interior digitalizado

Para garantir a capacidade off-road, o modelo preserva a identidade da família Bronco com 22 cm de altura livre do solo e bons ângulos de ataque e saída, essenciais para transpor obstáculos. Por dentro, a cabine rompe com o utilitarismo tradicional e abraça a digitalização exigida pelo mercado chinês, com uma multimídia que utiliza uma tela central flutuante de 15,6″, head-up display e um pacote ADAS completo.

Posicionamento de preço e concorrência

Na China, o posicionamento de preço é agressivo para conter o avanço das marcas locais. O Ford Bronco elétrico parte de 229.800 yuans. Em uma conversão direta, isso equivale a cerca de R$ 185.000. Obviamente, para o Brasil, o preço será bem maior do que isso ao adicionar os impostos e custos para trazer o veículo. Com o Bronco Sport custando R$ 270.000 e o elétrico Mustang Mach-E sendo vendido por R$ 486.000, o Bronco EV teria espaço na faixa entre R$ 300.000 e R$ 400.000. É um segmento pouco explorado pelas rivais chinesas. Há o BYD Tan, por pesados R$ 536.800, e o GAC Hyptec HT, que custa R$ 309.990. Os demais carros nesta faixa de preços são híbridos como o GWM Wey 07 (R$ 429.000) e BYD Atto 8 (R$ 399.990).

Conclusão: registro no INPI e futuro incerto

Resta saber se a Ford do Brasil aproveitará a oportunidade para trazer essa tecnologia ou se o registro no INPI servirá apenas para proteger a propriedade intelectual da marca globalmente. A expectativa é que o registro sinalize um interesse futuro da montadora em expandir seu portfólio de veículos eletrificados no mercado brasileiro, competindo diretamente com as crescentes marcas chinesas.

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