Negociações visam equipar veículos produzidos fora dos estados unidos com tecnologia chinesa de fosfato de ferro-lítio para ampliar oferta de híbridos
Uma parceria estratégica entre a Ford e a chinesa BYD pode ser firmada para viabilizar o fornecimento de baterias. As conversas, reveladas inicialmente pelo Wall Street Journal, indicam que a montadora norte-americana busca integrar componentes da fabricante asiática em seus veículos produzidos fora do território dos Estados Unidos.
O movimento reflete uma mudança de curso na estratégia da Ford, que recuou nas apostas exclusivas em modelos totalmente elétricos. A empresa observou uma resposta positiva do mercado às versões híbridas da picape Maverick e da F-150. O planejamento futuro inclui ainda a introdução de uma nova geração de automóveis com tecnologia EREV. Esses veículos, embora elétricos, utilizam um motor a combustão exclusivamente como gerador de energia, similar ao sistema presente no Leapmotor C10.
Interesse na tecnologia e escala da byd
A aproximação com a gigante chinesa tem como base a capacidade de escalabilidade e a tecnologia empregada. A BYD registrou a venda de mais de 2 milhões de carros elétricos globalmente em 2025. Além do volume, a Ford busca as vantagens das baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP) produzidas pela concorrente.
Os componentes LFP oferecem benefícios como alta densidade energética e menor dependência de metais escassos. A tecnologia também se destaca pela maior durabilidade, estabilidade térmica e baixa degradação, mantendo o desempenho mesmo após milhares de ciclos de carga. Atualmente, a BYD já atua como fornecedora para outras grandes marcas do setor, como Tesla e Toyota, embora não comercialize seus automóveis diretamente no mercado dos Estados Unidos.
Repercussão política e críticas
A possibilidade de acordo gerou reações negativas entre figuras ligadas à política norte-americana, especificamente no entorno de Donald Trump. Peter Navarro, conselheiro para assuntos de comércio e manufatura, manifestou oposição à parceria na rede social X, questionando a dependência da cadeia de suprimentos.
"Então a Ford quer simultaneamente fortalecer a cadeia de suprimentos de um concorrente chinês e torná-la mais vulnerável à extorsão dessa mesma cadeia de suprimentos? O que poderia dar errado aqui?"
Navarro ampliou as críticas ao citar preocupações econômicas e estratégicas sobre o domínio do setor automotivo.
"Já se esqueceram da extorsão com terras raras? A BYD é a mais recente empresa a praticar preços predatórios. O objetivo é controlar a produção global de veículos elétricos."