Motocicleta aposta em motor potente e agilidade para o trânsito urbano mas ainda busca seu espaço nas vendas

Lançada no mercado brasileiro em setembro do ano passado, a Royal Enfield Guerrilla 450 chegou com a missão de substituir a Scram 411, oferecendo um salto tecnológico significativo e quase 20 cavalos a mais de potência. Com preços sugeridos entre R$ 28.990 e R$ 29.490, o modelo busca se posicionar como uma alternativa versátil para o uso diário e viagens curtas. Apesar das qualidades técnicas herdadas da bem-sucedida Himalayan 450, a roadster ainda enfrenta dificuldades para emplacar vendas expressivas, especialmente diante da concorrência agressiva da Triumph Speed 400. As informações são do portal Jornal do Carro.

A avaliação do modelo destaca que o produto pode superar expectativas iniciais de uso.

“Sabe aquele produto que você acredita que foi feito para uma função específica, mas que acaba fazendo mais — e melhor — do que você imagina? É o caso da Royal Enfield Guerrilla 450.”

Base técnica compartilhada e disparidade de vendas

A Guerrilla 450 compartilha a mesma plataforma da Himalayan 450, incluindo motor, chassi, transmissão, sistema de freios e painel. No entanto, enquanto a versão trail (Himalayan) lidera seu nicho com 6.732 unidades vendidas em 2025 — superando rivais como a Honda NX 500 —, a versão roadster (Guerrilla) não figura entre as dez mais vendidas de sua categoria.

O mercado classifica a Himalayan ao lado de modelos de tíquete médio superior, como a Triumph Tiger 900, o que reforça o custo-benefício da trail da Royal Enfield. Já a Guerrilla enfrenta uma disputa direta por preço com a Triumph Speed 400, que custa cerca de R$ 1 mil a mais e possui maior aceitação comercial.

Especificações do motor e desempenho

O coração da Guerrilla é o motor Sherpa de 452 cm³, capaz de entregar 40 cv de potência a 8.000 rpm e 4 kgfm de torque a 5.500 rpm. O câmbio é de seis marchas. Em comparação, a concorrente inglesa Speed 400 oferece um motor de 398 cm³, com 39 cv e 3,82 kgfm. Embora a potência seja similar, a calibração da Royal Enfield foi ajustada para entregar mais torque em baixas rotações, favorecendo arrancadas e a agilidade no trânsito urbano.

O funcionamento do câmbio permite reduções constantes e uma condução fluida na cidade, embora os engates não tenham a mesma precisão cirúrgica encontrada em modelos de marcas japonesas como Honda ou Kawasaki.

Comportamento na estrada e ergonomia

A posição de pilotagem da Guerrilla 450 favorece o conforto, com braços relaxados e boa estabilidade, permitindo viagens de até duas horas sem grandes desgastes físicos. No entanto, a ausência de uma bolha de proteção contra o vento torna-se um problema em velocidades próximas a 120 km/h, exigindo esforço físico do condutor para resistir à resistência do ar.

Com 184 kg, a moto é mais leve que a Himalayan, mas pesa cerca de 14 kg a mais que a Speed 400. Esse peso extra não compromete o desempenho geral, mas a estrutura da motocicleta mostra sensibilidade a ventos laterais fortes em rodovias abertas, como a Dom Pedro e a Castello Branco, onde é possível sentir deslocamentos causados por rajadas.

Equipamentos e limitações tecnológicas

O conjunto de freios utiliza sistema da marca Bybre, subsidiária da Brembo, com ABS de dois canais que atua de forma independente nas rodas. O sistema mostrou eficiência tanto em piso seco quanto molhado. A suspensão também recebe avaliações positivas, absorvendo imperfeições urbanas e mantendo a segurança em curvas rápidas.

No quesito tecnologia, a moto traz o painel Tripper Dash com integração ao Google Maps. Contudo, o sistema apresenta falhas de usabilidade: a navegação é interrompida se a tela do celular for bloqueada, obrigando o motociclista a manter o aparelho destravado no bolso. O pareamento também pode ser lento e pouco intuitivo nas primeiras tentativas.

Outro ponto de atenção é a autonomia. O tanque da Guerrilla comporta 11 litros, contra 13 litros da rival da Triumph, o que resulta em visitas mais frequentes aos postos de combustível para o proprietário do modelo indiano.

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