A tecnologia de extensor de alcance da marca chinesa será integrada a modelos europeus da Peugeot, Citroën e Vauxhall como alternativa aos elétricos puros
A estratégia da Stellantis de incorporar tecnologias da parceira chinesa Leapmotor em suas marcas globais foi oficialmente corroborada pela liderança da empresa asiática. Tianshu Xin, CEO da Leapmotor International, confirmou que o conglomerado automotivo estuda a aplicação do sistema REEV (Range Extended Electric Vehicle) em veículos de marcas como Vauxhall, Peugeot e Citroën.
O movimento ocorre em um cenário de arrefecimento na demanda por carros totalmente elétricos na Europa. Fabricantes buscam soluções que reduzam a dependência da infraestrutura de carregamento público, mantendo a eletrificação da frota. A integração técnica visa equipar os modelos europeus com o sistema que une tração elétrica a um motor a combustão gerador.
Em entrevista ao site britânico Autocar, o executivo destacou a disponibilidade imediata da solução técnica e as negociações em andamento.
“Temos a tecnologia disponível e estamos discutindo com a Stellantis como aplicá-la em suas marcas”
Funcionamento do sistema híbrido em série
A tecnologia em questão difere dos híbridos tradicionais. No sistema REEV, ou híbrido em série, o motor elétrico é o único responsável pela tração das rodas. O propulsor a combustão funciona exclusivamente como um gerador de energia para recarregar a bateria, eliminando a ansiedade de autonomia comum aos veículos 100% elétricos (BEV).
O modelo Leapmotor C10, já comercializado no mercado brasileiro, exemplifica essa aplicação. O veículo utiliza um motor 1.5 turbo a gasolina que opera em rotações estacionárias para alimentar a bateria de 28,4 kWh. A propulsão efetiva é realizada por um motor elétrico traseiro, capaz de entregar 215 cv de potência e 32,6 kgfm de torque.
Perspectivas para o mercado brasileiro
A aplicação da tecnologia não deve se restringir à Europa. O Brasil, com sua matriz energética diversificada, também está nos planos para receber modelos com esse sistema. Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América Latina, já havia sinalizado essa direção em dezembro passado, indicando que a decisão estratégica já foi tomada pela companhia.
“Não sabemos quando nem quais modelos, mas é uma decisão tomada. Usaremos o sistema da Leapmotor em outros modelos”
Possível intercâmbio de plataformas
A sinergia entre as empresas, impulsionada pelo fato de a Stellantis deter 51% da operação internacional da Leapmotor, pode fluir em ambas as direções. Além do fornecimento de tecnologia de propulsão para a Stellantis, Tianshu Xin mencionou que a marca chinesa avalia utilizar plataformas da parceira ocidental em projetos futuros.
“Esta é uma das possibilidades que estamos explorando”
As informações são do Jornal do Carro.