Stellantis avalia expandir tecnologia de extensão de autonomia presente no suv c10 para outras marcas do grupo diante da desaceleração dos elétricos

A Stellantis analisa a possibilidade de integrar o sistema híbrido da parceira chinesa Leapmotor em modelos da Fiat, Peugeot e Citroën. O foco recai sobre a tecnologia REEV (Range-Extended Electric Vehicle), ou veículo elétrico de autonomia estendida, que atualmente equipa o SUV C10, lançado no mercado brasileiro em novembro de 2025.

A movimentação ocorre em um cenário global onde as vendas de carros totalmente elétricos não atingiram as projeções esperadas, tornando a hibridização uma alternativa estratégica. Tianshu Xin, diretor-executivo internacional da Leapmotor, confirmou ao site Autocar o interesse em ampliar o uso do conjunto mecânico.

“Os EREV são uma excelente tecnologia e estamos a explorar formas de aplicá-la noutros portfólios”, destacou o executivo.

Um fator decisivo para essa integração é o compartilhamento de bases industriais. A plataforma CMP, já utilizada por veículos da Citroën e Peugeot, também servirá ao Grande Panda, futuro modelo popular da Fiat no Brasil previsto para 2026 sob o nome de “Argo”.

“O compartilhamento de plataforma é uma das oportunidades que estamos explorando”, reforçou Xin.

No contexto nacional, a engenharia local também estuda a viabilidade técnica. Márcio Tonani, vice-presidente sênior de engenharia da Stellantis no Brasil, informou à Autoesporte que o grupo avalia a transferência do conjunto REEV para outros automóveis no país, reforçando o interesse na diversificação das opções de propulsão.

Entenda como funciona o sistema reev

Embora a sigla REEV classifique o modelo literalmente como um elétrico de autonomia estendida, a tecnologia opera na prática como um sistema “híbrido em série”, conforme definições da SAE, associação referência em normas automotivas. Diferente dos híbridos leves (MHEV) ou plug-in (PHEV) tradicionais, o motor a combustão neste sistema não possui conexão mecânica com as rodas.

No caso do Leapmotor C10, o funcionamento ocorre através de dois sistemas de armazenamento: um tanque de combustível e uma bateria. O motor 1.5 a gasolina, com 96 cv, atua exclusivamente como um gerador para carregar a bateria de 28 kWh. Esta, por sua vez, fornece energia ao motor elétrico de 231 cv.

Dessa forma, a tração do veículo é sempre 100% elétrica, sem interferência direta da queima de combustível na movimentação das rodas, característica que o diferencia dos demais híbridos disponíveis no mercado.

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