Evento em Las Vegas revela evolução da inteligência artificial física nos processos fabris e consolida entrada de fabricantes de eletrônicos no mercado de carros

A Consumer Electronics Show (CES) de 2026 encerrou suas atividades em Las Vegas marcada pela onipresença da Inteligência Artificial (IA) nos discursos dos expositores. Embora parte das apresentações tenha se limitado a promessas voltadas para investidores, o setor automotivo apresentou aplicações concretas da tecnologia. O Jornal do Carro acompanhou o evento e listou as principais tendências que moldam o futuro da mobilidade.

A era da inteligência artificial física

A convergência entre modelos avançados de linguagem e a estrutura mecânica das máquinas, denominada IA física, despontou como ferramenta central para a produção industrial. A tecnologia permite que robôs compreendam instruções complexas e atuem no mundo real. A NVIDIA apresentou uma nova arquitetura que viabiliza o treinamento de robôs em ambientes virtuais para aplicação imediata em linhas de montagem, conceito conhecido como “zero-shot learning”.

Jensen Huang, executivo da NVIDIA, definiu o atual estágio da tecnologia como um marco evolutivo.

“A IA passa a raciocinar e agir fisicamente.”

Um exemplo prático dessa aplicação é o robô humanoide Atlas, da Hyundai. O equipamento demonstrou capacidade de aprender tarefas em menos de um dia, operar com autonomia total, realizar a troca da própria bateria e levantar cargas de até 50 kg.

Disputa no segmento de táxis autônomos

O mercado de transporte autônomo presenciou um embate direto entre a Waymo, pertencente à Alphabet, e a Zoox, da Amazon. A Waymo lidera a operação comercial, atendendo usuários em cidades como Los Angeles, São Francisco, Phoenix, Atlanta e Austin. Durante a feira, a empresa exibiu um novo modelo fabricado pela chinesa Zeekr.

A Zoox, contudo, atraiu as atenções do público presente no pavilhão. A empresa, que atualmente limita seus testes a Las Vegas, registrou filas constantes de visitantes interessados em conhecer seu veículo de Nível 4, superando a rival em popularidade no evento.

Avanços em baterias de estado semissólido

A GWM, através de sua subsidiária Svolt, revelou uma nova bateria prismática semissólida que promete elevar os padrões de segurança e densidade energética na produção em massa. A inovação utiliza um processo de transferência de revestimento avançada (SSSE) e eletrólito semissólido.

O sistema é capaz de interromper o fluxo elétrico interno em casos de impacto ou estresse térmico, mitigando riscos de incêndios. A tecnologia também incorpora ânodos de silício de terceira geração, solucionando problemas de expansão volumétrica e garantindo maior estabilidade, autonomia e velocidade de recarga.

Micromobilidade e malas motorizadas

Soluções de transporte pessoal em microescala ganharam destaque no pavilhão Norte do centro de convenções. Marcas como Gyroor, AOTOS e Jitlife apresentaram malas motorizadas que funcionam como veículos de deslocamento em grandes terminais.

O modelo JS07i da Jitlife, finalista do prêmio “Best of CES”, ilustra o refinamento do setor. O dispositivo suporta até 115 kg, alcança velocidade próxima a 13 km/h e oferece autonomia de 10 km. Com design modular, pedais e guidões são retráteis, mantendo a aparência de uma bagagem executiva convencional quando não está em uso. A ferramenta tem se provado útil para conexões rápidas em aeroportos extensos, como os de Dubai e Pequim.

Convergência entre eletrônicos e automóveis

A fronteira entre empresas de tecnologia de consumo e a indústria automotiva mostrou-se cada vez mais difusa. A Sony Honda Mobility exibiu a versão de pré-produção do sedã Afeela 1. O veículo, descrito como um hub de entretenimento sobre rodas, integra nativamente recursos de IA e inicia suas vendas nos Estados Unidos em 2026.

Outro destaque foi a entrada da chinesa Dreame, conhecida por aspiradores robóticos, no segmento de superesportivos. A marca revelou três modelos elétricos, liderados pelo conceito Nebula Next 01, que entrega 1.903 cv de potência. O movimento demonstra como o domínio de tecnologias de motores elétricos e gestão térmica facilita a transição de fabricantes de eletrodomésticos para o mercado automotivo de alta performance.

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