Alerta no Reino Unido pede supervisão durante recarga do SUV elétrico
O recall global envolvendo o Volvo EX30 recebeu novas diretrizes de segurança nesta semana, com foco específico no procedimento de recarga das baterias. Um órgão de segurança do Reino Unido emitiu uma recomendação para que os proprietários do SUV elétrico evitem realizar o carregamento em ambientes fechados sem supervisão direta. A medida surge em resposta a uma falha na produção das baterias que eleva o risco de incêndio. As informações sobre o posicionamento da marca no mercado nacional foram apuradas pela Autoesporte.
A fabricante identificou, após inspeções técnicas, que os módulos da bateria de níquel-cobalto-manganês (NMC) apresentam possibilidade de superaquecimento. O risco de combustão aumenta consideravelmente durante o processo de reposição de energia.
Consultada sobre a extensão desse alerta, a Volvo informou que a recomendação britânica de evitar locais fechados possui validade apenas local. No mercado brasileiro, a orientação vigente permanece a limitação da carga a 70% da capacidade total da bateria. O ajuste deve ser realizado preventivamente pelos proprietários através da central multimídia do veículo.
Detalhes da campanha no mercado brasileiro
A restrição de carregamento afeta 5,6 mil unidades do modelo no Brasil. A campanha de recall abrange veículos fabricados entre 6 de setembro de 2024 e 25 de outubro de 2025. Os chassis envolvidos vão de YV12ZEL82RS000462 a YV12ZELA9TS178122.
Apenas as versões Single Motor Extended Range e Twin Motor Performance estão incluídas no chamado. Dados da montadora indicam que o índice de risco de incêndio é de 0,02% nas unidades afetadas globalmente. A redução da capacidade de carga para o limite de 70% é considerada pela marca como uma ação eficaz para diminuir significativamente a probabilidade de incidentes enquanto uma solução definitiva não é encontrada.
A dinâmica técnica do risco de incêndio
Especialistas apontam que ocorrências térmicas em veículos eletrificados demandam protocolos específicos de combate. Fabio Delatore, coordenador do curso de pós-graduação de veículos elétricos e híbridos do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), explica que o fogo ocorre quando há contato entre os eletrodos da bateria devido à falha no material de separação.
“O sistema de gerenciamento da bateria, identificado pela sigla BMS, faz o monitoramento constante da temperatura e pode agir caso identifique riscos de combustão. E quanto mais energia se concentra na bateria, maior o risco do chamado ‘efeito cabum’, considerado o gatilho para um incêndio”
A propagação das chamas em carros elétricos é rápida e apresenta risco de reignição interna mesmo após o controle superficial do fogo. Por essa razão, recomenda-se um período de “quarentena”, mantendo o veículo isolado por semanas.
O combate a esse tipo de incêndio exige agentes extintores específicos, diferentes dos encontrados em equipamentos convencionais.
“Um incêndio deste tipo não pode ser mitigado com gás carbônico ou extintores normais. Existem duas alternativas: extintores de carbonato de potássio ou soluções de vermiculita”
A Volvo orienta que todos os proprietários dentro da faixa de chassi estipulada levem seus veículos às concessionárias para a aplicação da limitação de carregamento.