Fim da produção do Model S e Model X marca encerramento de ciclo histórico para veículos que redefiniram o setor e consolidaram a marca de elétricos

A Tesla encerrará a fabricação do Model S e do Model X para destinar o espaço de uma de suas fábricas na Califórnia à produção de robôs. A decisão foi anunciada por Elon Musk, CEO da companhia, na última quarta-feira, encerrando a trajetória de dois modelos que enfrentaram vendas fracas nos últimos anos. Atualmente, a preferência dos consumidores da marca recai sobre o Model Y e o Model 3, opções menores e mais acessíveis.

Apesar do desempenho comercial recente abaixo do esperado, o Model S mantém um status elevado entre executivos e analistas do setor. O veículo é considerado um dos mais importantes dos últimos 125 anos da indústria automobilística, sendo frequentemente comparado ao Ford Model T em termos de impacto e ruptura de conceitos tradicionais de engenharia e custo.

Experiência de direção e inovação tecnológica

O analista da consultoria Gartner, Mike Ramsey, testou o veículo há treze anos e notou imediatamente a distinção do produto. O interior contava com uma tela sensível ao toque de 17 polegadas no painel e oferecia um espaço interno surpreendente, fruto da arquitetura elétrica que utiliza menos peças que os carros convencionais. A performance também se destacava pelo torque imediato e silêncio na rodagem.

Ramsey descreveu a sensação física ao dirigir o sedã elétrico. "Eu já tinha dirigido carros de alto desempenho, mas fui jogado contra o banco por causa de todo aquele torque. E havia essa dissonância cognitiva, porque o carro estava voando pela estrada e, ainda assim, era quase silencioso. Fiquei impressionado."

Redefinição do segmento de luxo

Lançado originalmente por US$ 57.400 em 2012, o Model S não era um carro barato, mas custava menos que os esportivos que conseguia superar em desempenho. Hoje com preço inicial de US$ 95.000, o modelo abalou a hegemonia de marcas alemãs e japonesas como Mercedes-Benz, BMW, Audi e Lexus, redefinindo o conceito de carro de luxo.

A grande inovação, contudo, estava na integração com o software. Diferente de concorrentes que apenas se conectavam à internet, o Model S operava como um computador central, recebendo atualizações sem fio que podiam melhorar freios, aumentar a autonomia ou adicionar recursos como o Autopilot. Sam Abuelsamid, da Telemetry, reforça o caráter inédito dessas funções. "O Model S foi um divisor de águas e trouxe várias tecnologias que as pessoas nunca tinham visto."

Legado superior ao de outros ícones

Embora a história do automóvel inclua ícones como o Volkswagen Beetle, o Ford Mustang e o Toyota Prius, o impacto do Model S foi profundo ao provar a viabilidade comercial dos elétricos. Antes dele, o Nissan Leaf dominava o nicho com apenas 130 km de autonomia, enquanto o sedã da Tesla chegava a 320 km, alcançando quase 480 km em versões superiores.

Essa trajetória transformou a Tesla, antes uma fabricante de nicho do Roadster, na marca de luxo mais vendida nos Estados Unidos em 2022. O sucesso do projeto forçou toda a indústria a investir bilhões em eletrificação e desenvolvimento de software. Mesmo com a desaceleração recente na transição total para elétricos por parte de outras montadoras, a influência do veículo permanece incontestável. Para Ramsey, a relevância histórica do carro elétrico de Musk pode superar até a do clássico da Ford. "Dá para argumentar que o Model S foi até mais influente que o Model T."

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